sábado, 20 de setembro de 2008

Eis que ela chega: A devassadora Tpm


Dia desses estava no salão de cabeleireiros, indiscutível na preferência das mulheres para discussões profundas e filosóficas acerca de assuntos corriqueiros tais como trabalho, casa, relacionamento e filhos; quando uma amiga comentou que seu filho lhe havia perguntado por que ela andava tão irritada. Nos contou, em meio a gargalhadas, que respondeu a ele: "Filho, a mulher tem três fases distintas no mês. Durante a primeira delas, ela quer matar alguém. Na segunda, ela quer se jogar de uma ponte. E na terceira, ela tem grandes possibilidades de realmente cometer um assassinato." O menino, temeroso, lhe perguntou em que fase ela se encontrava. "Na terceira", disse ela, ao que ele saiu em disparada e não foi mais visto durante o dia todo. Essa terceira fase é a imbatível Tpm, aquela na qual a mulher sente que todos as pessoas do mundo se uniram para fazer-lhe algum tipo de mal e minar sua auto-estima, destruir o que lhe resta de auto-controle, e contribuir para que seu dia se torne cada vez mais insuportável.

Comédia e exageros à parte, quero saudar essa grande companheira que veio me visitar hoje. Ela chegou de mansinho a noite passada, foi entrando sem bater e cá está. Deve ficar bem uns dois ou três dias, até que aquela outra visita, igualmente desagradável, mas muito menos prejudicial, o Xico, chegue. Apesar de trazer consigo sentimentos bastante negativos, a Tpm é uma companheirona. Faz-se sentir o tempo todo. Foi responsável por uma grande discussão na noite passada, uma discussão idiota e sem sentido, que acabou com todos os envolvidos magoados. Foi responsável também por um momento de muita irritação com um amigo hoje, que não merecia minha falta de educação. E por um dia todo largada na cama, chorando por qualquer comercial de margarina.

Engraçado o poder que os hormônios exercem sobre as mulheres. Sabemos o que se passa, é a Tpm, sabemos que é passageiro, dura somente dois ou três dias, mas ainda assim nos foge a solução para esses repentes. Lá no fundo, sabemos que a culpa não é das pessoas que "nos irritam", que não estamos tão feias e tão gordas quanto achamos, que nossas amigas não estão tentando nos sacanear. Mas a razão diz uma coisa, e a emoção outra. A gente até racionaliza: "Nossa, preciso me controlar, a tpm esse mês tá demais", mas é impossível. Sabe aqueles desenhos animados, nos quais o personagem tem um diabinho em seu ombro, dizendo que ele tem que ser uma pessoa má? Pois é, a Tpm é esse diabinho, se aloja em nossos ombros por dois dias, e fica repetindo em nossa orelha, o tempo todo, coisas do tipo: "Você é feia!", "Tem certeza que vai repetir, olha o tamanho que você está!!!", "Ninguém gosta de você, por que uma pessoa tão legal iria se interessar verdadeiramente por um lixo desses?", "Você não vai reagir? É uma tonta mesmo, por isso todo mundo te faz de palhaça", e otras cositas más.

Sempre ouvi que mulher grávida fica sensível... Que tem que poupá-la, cuidar dela, dar-lhe atenção.... Mas discordo. Pelo menos no meu caso, fico muito mais sensível durante a tpm do que quando estava grávida. Infinitamente mais. A gravidez foi um momento lindo, de muita fé renovada, muito carinho, muita atenção. Ao passo que a mulher em tpm é a frustrada, a irritada, a chata. Ninguém suporta mulher em tpm. Nem ela se suporta. E isso acontece uma vez ao mês.

Da mesma forma que chega, de repente, vai embora. E então, a mulher-fênix ressurge das cinzas, faz o cabelo, as unhas, se depila, compra uma roupa nova, sai linda e perfumada, segura de si, com a auto-estima renovada....

Quero ser sempre essa aí. Não quero ser a chata em tpm. Decidido, a partir desse mês não menstruo mais. Cara amiga, prepare-se, essa é a última visita que você me faz durante um bom tempo!!! Vade Retro!!!